Carta aberta a Carlos Veloso

Ilmo. Sr.Carlos Veloso,

Ao iniciar a elaboração destas mal traçadas linhas me assaltou uma dúvida. Confesso que estou encontrando uma certa dificuldade em relação ao tratamento que devo dispensar-lhe. Pensei inicialmente em tratá-lo de excelência, logo me dei conta que não seria o caso. Lembrei-me, que tanto eu como você, já não correspondemos às qualificações exigidas para merecer tal distinção, em outras palavras, não somos mais excelências. É verdade também que perdemos a primazia do tratamento por razões muito diferentes. No seu caso, foi o epílogo de uma carreira bem sucedida, imagino sem maiores obstáculos, que incluiu a presidência da mais alta corte de justiça de nosso país. Você concluiu uma carreira de grande sucesso, cercado de direitos e garantias que raros brasileiros conseguem atingir, fecha seu ciclo produtivo gozando de privilégios reservados a poucos. Sai de cena perdendo apenas a primazia de ser distinguido com o tratamento de Vossa Excelência, porém passa a dispor de todo o seu tempo e claro, de uma generosa aposentadoria paga por todos os brasileiros. Já no meu caso, as turbulências são freqüentes em razão de minhas utopias, com momentos de alta tensão. Não seria nenhuma novidade falar-lhe que perdi o tratamento de excelência de forma abrupta, até mesmo inusitada, mais adiante entraremos no mérito. Perdi, além da primazia no tratamento, o mandato concedido pelo povo do Amapá. Devo dizer-lhe, que na minha obsessão no combate aos privilégios, eliminei uma vantagem pessoal, por considerá-la injusta, a aposentadoria de ex-governador. Acrescentarei umas poucas palavras sobre nossa trajetória. Mesmo sendo uma carta pessoal, permita-me abordar esse assunto no plural, faço parte de uma geração que exagerou em sua generosidade, colocando a própria vida em risco na defesa de ideais de liberdade e justiça. A nossa maneira, certos ou equivocados, a verdade é que ousamos lutar por uma pátria mais justa e democrática. Em conseqüência, muita gente, dessa honrosa geração, amargou a dolorosa experiência da prisão, da tortura e do exílio. Com Janete, minha companheira de vida e de luta, enfrentamos aqueles tempos sombrios. Também juntos, na volta do exílio retornamos a militância e conquistamos vários mandatos eletivos, finalmente juntos tivemos também nossos mandatos abruptamente interrompidos. É hora de esclarecer as razões que me levam a escrever-lhe, afinal trilhamos caminhos tão diferentes que seria inimaginável um ponto de encontro, um cruzamento nessa trajetória, capaz de criar afinidades geradoras de diálogo e comunicação entre nós. Ocorre que optamos pela vida pública, você na função de magistrado e eu de militante político, eventualmente exercendo cargos eletivos. Foi por isso que, em momentos diferentes de nossa história individual, nossas vidas terminaram se cruzando. Antes de esclarecer o que me leva a escrever-lhe, tomo a liberdade de incluí-lo entre os brasileiros chocados e indignados com os escândalos que finalmente, graças à ação competente de nossas forças policiais, estão sendo revelados a toda a sociedade. Quando tomei conhecimento do escândalo da semana passada, envolvendo o senador Joaquim Roriz em partilha de dinheiro, bateu-me a necessidade de me comunicar com você, para relembrar alguns fatos que remontam aos tempos de sua vida ativa como magistrado. Na última semana do mês de abril de 2004, você atuou como juiz do TSE, relatando dois processos. Em um, você conseguiu enxergar o que o Ministério Público Eleitoral e o TRE do Amapá, agindo com extremo rigor, não conseguiram enxergar: a compra de dois votos por R$ 26 cada. Acusação em nosso desfavor, sustentada por declaração em cartório de duas testemunhas analfabetas, que também declararam não nos conhecerem. Foi aí então, que você, atuando menos como juiz e mais como eloqüente advogado de acusação conseguiu convencer seus pares pela cassação do meu mandato de senador e o de deputada federal de minha companheira Janete. Ainda naquela semana de triste memória, no processo em que figurava como réu o então governador Joaquim Roriz, você atuando menos como juiz e mais como advogado de defesa, não conseguiu enxergar as provas documentais e testemunhais que o Ministério Público havia demonstrado nos autos, conseguindo dessa forma convencer seus pares da inocência do acusado. É sobre esses fatos, que já passaram à história, que gostaria de comentar com você. Veja bem, agentes políticos detentores de mandatos eletivos têm suas vidas permanentemente fiscalizadas pela opinião pública. Fatos de suas vidas são revelados, seja através da imprensa, seja por seus adversários políticos ou até mesmo, como tem ocorrido nos últimos tempos, por investigações policiais e judiciais. Assim sendo, considerando que você, como julgador de políticos, conhecia tanto eu como minha companheira e, com maior razão o então governador Roriz, que governava a cidade de seu domicílio, pergunto-lhe: 1 - Você sabia que o então governador e hoje Senador Joaquim Roriz, respondia e continua respondendo dezenas de processos criminais por improbidade administrativa? 2 - Você sabia que em relação a mim e a minha companheira Janete não existe um só processo criminal em nosso desfavor por improbidade administrativa? Finalmente concluo com mais duas questões: 1 - Você considera que sua decisão em cassar meu mandato e o de minha companheira Janete melhorou a vida política brasileira? 2 - Você considera que a sua decisão de inocentar Joaquim Roriz melhorou a vida política brasileira?
Na esperança de uma pronta resposta subscrevo-me, atenciosamente,

João Alberto Capiberibe(ex-preso e ex-exilado político,foi prefeito de Macapá, governador do Amapá por dois mandatos, senador com mandato interrompido por decisão de Carlos Veloso, quando ministro do TSE)

Companheiros de 1986 recepcionam Waldir

Aos poucos eles foram chegando. Rostos marcados pelos anos de luta. Sem coloração partidária. De repente, o saguão de desembarque doméstico do aeroporto Dois de Julho, em Salvador, reunia centenas de amigos e companheiros de Waldir Pires.

A maioria companheiros da inesquecível campanha de 1986, que levou Waldir Pires para o governo da Bahia, com uma margem de 1.500.000 de votos sobre o segundo colocado Josaphat Marinho. Uma campanha que ficou marcada na história da Bahia.

Todos estavam ali para abraçar o companheiro Waldir Pires, responsabilizado irresponsavelmente pelos políticos que fazem oposição ao governo Lula e por determinados setores da imprensa, pelo caos aéreo, apenas por ser o Ministro da Defesa, quando na verdade, a aviação civil brasileira é comandada pela Anac, uma estrutura de Estado, que consta do organograma ministerial, mas tem total independência para agir.

Uma agência, que é fruto de um projeto mal elaborado do governo federal, e que foi acatado pela oposição, que não levantou uma palha para corrigi-lo e faze-lo a semelhança das demais agências de regulação.

Mas, o importante foi o momento vivido no aeroporto Dois de Julho por Waldir e seus velhos companheiros, que o saudaram efusivamente com um vibrante: “Viva Waldir”. Aquele pessoal, estava ali para desagravar Waldir e saudar o seu retorno à planície baiana independente de coloração partidária, ali estavam comunistas, petistas, socialistas, pedetistas, tucanos e peemedebistas.

Uma bela festa para um militante, ético, coerente, ilibado e honrado.

Calheiros acusados de grilagem de terras

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), réu em um processo de suposta quebra de decoro parlamentar retorna, hoje, ao Congresso Nacional, depois de duas semanas de recesso parlamentar em Maceió. Renan esperava que o PAN e, em seguida a tragédia de Congonhas dominariam o noticiário. Com isso seu caso seria colocado em segundo plano pela mídia, infelizmente para o senador isso não ocorreu.

E por que não ocorreu? Por que os movimentos sociais não deram trégua aos Calheiros em Alagoas durante o recesso parlamentar. O MST invadiu a principal fazenda dos Calheiros, em Murici, onde permaneceu até o fim de semana passado. Tentou invadir a indústria de refrigerantes que os Calheiros venderam para Schincariol e a Prefeitura administrada pelo filho mais velho de Renan.

Essas operações do MST e de outros movimentos sociais tiveram como objetivo desestabilizar o descanso dos Calheiros e forçar a justiça alagoana a acelerar os processos de grilagem de terras contra os irmãos Renan e Olavo.

A ação foi coroada de êxito. A justiça alagoana interviu no suspeito cartório de Murici e destituiu sua tabeliã, suspeita de colaborar com a grilagem de terras dos Calheiros. O deputado Olavo Calheiros rompeu com o governador Teotônio Vilela, que se recusou a utilizar a força para desalojar os sem terra da propriedade dos Calheiros e recebeu como troco pelo rompimento, uma fiscalização relâmpago das secretarias da Fazenda e Agricultura nos frigoríficos que teriam comprado gado de Renan. A operação dos fiscais tem por objetivo recolher documentos para o envio posterior ao Conselho de Ética do Senado.

Além disso, os adversários políticos dos Calheiros em Alagoas dominaram o noticiário local subindo o tom das denúncias. O que seria um descanso e o esfriamento do processo para Renan e Olavo acabou se tornando num inferno.

A imprensa nacional, que manteve o noticiário do Renangate em banho Maria durante o recesso, voltou a carga nos últimos dias graças aos acontecimentos em Alagoas.

Além disso, um dos relatores do caso, a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) anunciou que pretende fazer uma acareação entre a jornalista e o lobista. A senadora disse, ainda, que o fato de usar dinheiro vivo, um lobista e o escritório de uma empreiteira para transferir recursos à jornalista, já configuram quebra de decoro parlamentar.

Os passos da senadora Serrano demonstram que vão aumentar as pressões sobre Renan. Além disso, o PSol anuncia que vai entrar com novo processo no Senado contra Renan e com outro na Câmara contra Olavo.

Pelo visto, o recesso parlamentar não ajudou na defesa dos Calheiros, ao contrário lhes fez muito mal.

O carlismo transcende a política

A morte de ACM enseja a discussão. O que irá acontecer com o carlismo. Para muitos, o grupo morre com ACM, para outros o grupo independe da figura do cacique.

Quem convive com o carlismo, há quase 40 anos, enxerga que o grupo transcende a política.

O carlismo é amplo. É um movimento incrustado em vários segmentos da sociedade baiana. Pode parecer piegas, mas é latente na vida empresarial baiana. Isso se deve a atuação de ACM, que não se preocupou em formar apenas um grupamento político. ACM foi além disso e estendeu seus tentáculos por quase toda a sociedade baiana. O carlismo nunca fez distinção de credo, raça, cor ou classe social. Está presente em todos os cantos da Bahia, principalmente naqueles que calam fundo a alma e ao sincretismo baiano.

Um dos grupos carlistas mais fortes está encravado na cultura baiana, incluindo, aí, todos os segmentos culturais. Vale lembrar, que em 1990, uma das principais peças publicitárias da campanha de ACM ao governo da Bahia foi à carta de Jorge Amado, classificando ACM como o melhor prefeito de Salvador de todos os tempos.

A teia do carlismo é muito forte. Foi urdida com paciência, a partir da formação de uma rede de veículos de comunicação que irradia seus tentáculos por todo o estado, através de satélites, que interferem no dia a dia da Bahia.

Foi essa estrutura, que ajudou ACM a recuperar a hegemonia político-administrativa em 1990, depois de uma derrota acachapante de seu candidato em 1986, que começou em 1982 com a escolha de João Durval para concorrer a sua sucessão, pela qual se penitenciou em depoimento no livro “Política é paixão”, publicado em 1995:

“João Durval foi resultado de uma tragédia. Agora, digo sempre em relação a Paulo Souto: Este é fruto de uma reflexão, o outro foi fruto de uma emoção. João Durval foi escolhido após o acidente que matou Clériston Andrade faltando 40 dias para o final da campanha eleitoral, quando muitas pessoas não podiam disputar a eleição. Talvez, tenha pesado um pouco aí a minha vaidade. Devo até pedir desculpas aos baianos neste livro, e peço, pela escolha de uma pessoa que era pouco conhecida, só para mostrar que tinha força para eleger qualquer um candidato”.

A carga pesada desferida contra Waldir Pires foi tão devastadora, que ele deixou o governo da Bahia no segundo ano do mandato, com a desculpa de disputar a convenção presidencial do PMDB. Derrotado, preferiu sair vice-presidente na chapa de Ulisses, do que continuar a governar a Bahia, sob o fogo cerrado da comunicação do carlismo.

Essa teia que se chama Rede Bahia, está sob o comando de ACM Junior e ACM Neto e faz a diferença. Vale lembrar, que sem ela, nenhum carlista sobrevive isoladamente, por isso muitos vão pensar antes de trocar de barco. O ex-deputado, Benito Gama, é um exemplo disso. Deixou o grupo e nunca mas se elegeu. Existem muitos outros exemplos.

Essa teia é fundamental, por exemplo, para a sobrevivência de um segmento importante: o axé. Pois toda a estrutura de eventos da Bahia é subalterna a ela. Em alguns casos, ela banca o ressurgimento de alguns nomes do axé que caíram no ostracismo. Exemplos existem aos montes.

Além disso, essa teia atua em outros segmentos importantes da vida empresarial baiana, que durante os últimos 16 anos prosperaram graças ao carlismo.

Os atuais governantes da capital e do Estado precisam dessa teia para prestar contas a sociedade, por isso a tratam com todo o cuidado possível para não despertar a ira, pois conhecem seu poder de destruição. Afinal, a maioria dos que estão no poder, a enfrentaram no fim dos anos 80.

Vale lembrar, que a vitória de João Henrique em Salvador, em 2004, se deu, em parte, pelo agastamento das relações entre o criador (ACM) e a criatura (Imbassahy) e a vitória de Jaques Wagner por que a criatura (Paulo Souto) durante os quatro anos de governo desprezou a teia (Rede Bahia e seus satélites), imaginando que poderia navegar independente dela e acabou surpreendido.

Portanto, o carlismo está vivo e vai querer reconquistar os torrões perdidos, principalmente por que alguns ex-carlistas podem voltar ao grupo, pois suas desavenças foram com ACM e não com os carlistas. A prova disso, é que Luiz Eduardo Magalhães estava costurando, antes de morrer, uma grande aliança com ex-carlistas alojados no PSDB e PMDB.

Por isso tudo, ao meu ver, o carlismo transcende a política e está incrustado na sociedade baiana.

Empréstimos na Expofeira do Amapá podem ser flexibilizados, diz governo

O governo do Amapá anunciou nesta quarta-feira (21) que estão disponíveis R$ 300 milhões em linhas de financiamentos para empreendedores na 51ª Expofeira Agropecuária, evento programado para ocorrer entre 30 de outubro e 8 de novembro, em Macapá. A proposta, segundo a Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá (Agência Amapá), é flexibilizar as regras de financiamento para fomentar o setor.
Cinco instituições financeiras confirmaram até esta quarta-feira a participação com a utilização de linhas de créditos no evento. Os empréstimos podem ser feitos para capital de giro, estruturação física ou reforma da empresa, expansão dos negócios e aquisição de equipamentos.

Empréstimos na Expofeira

“As regras podem ser flexibilizadas, mas isso vai variar de acordo com a instituição. Atualmente, o crédito é mais difícil e o empreendedor deve se preparar para isso. Talvez um estudo do seu do próprio projeto possa ser um diferencial”, comentou o presidente da Agência Amapá, Eliezir Viterbino.
De acordo com Viterbino, também estão disponíveis consultorias com especialistas para orientar a aplicação do dinheiro financiado. A proposta é fazer o empresário continuar adimplente com a linha de empréstimo.
As salas de treinamento serão montadas em estandes dos bancos no pavilhão de negócios, dentro do parque de exposições do distrito de Fazendinha, em Macapá. Além da Agência Amapá, estarão no local especialistas da Federação das Entidades de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte do Amapá (Femicro), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Sebrae.
“Temos hoje grandes financiadores que pretendem estar bem focados na Expofeira. Essa época é difícil ter acesso aos créditos, no entanto, o mais importante é que o empreendedor saiba aplicar esse dinheiro corretamente para que fique adimplente dentro dessa linha de crédito”, disse o presidente da Agência Amapá.

O objetivo não era ganhar, era derrotar o adversário

Em 1975 fixei residência em Salvador. Vim trabalhar na Editora Abril, a convite do diretor da sucursal o jornalista Juracy Costa e estou aqui até hoje. Sou um “baioca”, cruzamento de baiano com carioca, muito bem adaptado à vida da Boa Terra, apesar de nos últimos anos ir pouco as badalações de Salvador, pois escolhi morar a 30 quilômetros do “burburinho” soteropolitano.

Uma sábia decisão, haja vista, que há dois anos e meio Salvador está entregue as traças.

Mas, o quero é contar uma historinha, que vivi, na qual ACM foi personagem.

Em 1990, coordenei o programa de rádio da campanha ao governo da Bahia do candidato Roberto Santos, que perdeu a eleição para ACM por apenas 0,32% de diferença. Uma campanha violenta, com peças publicitárias agressivas.

Na época, uma tragédia vitimou dezenas pessoas, envenenadas por uma aguardente estocada em tonéis, que haviam sido utilizados na armazenagem de metanol.

Em vista disso, criei um “teaser” que dizia: “ACM, aguardente com metanol, a ressaca que pode durar quatro anos.”

A peça era tão agressiva, que correligionários de ACM ligaram para o professor Roberto Santos pedindo a retirada do “teaser” da campanha, o que foi feito imediatamente.

Dois anos depois, recebo uma ligação da Propeg, agência que atendia ao governo de ACM, me convidando para ser um dos coordenadores do rádio e TV de uma campanha eleitoral para prefeito de um correligionário de ACM, em Itabuna, no sul da Bahia.

No primeiro contato com a agência ouvi o recado. O Cabeça Branca, como ele era chamado pelos mais próximos, deseja que Ubaldo Dantas, que liderava as pesquisas com mais de 70% de intenção de votos, não ganhe a eleição, não importando quem ganhe. Intrigado, quis saber os motivos da aversão de ACM. Fui aconselhado a esquecer o assunto e nunca mas quis saber, aliás não sei até hoje.

Como a grana era muito boa topei a parada e dividi a missão com o jornalista Sérgio Gomes e uma equipe de mais de cinqüenta profissionais recrutados entre os melhores da Bahia.

Um ala da TV Santa Cruz, pertencente à Rede Bahia, afiliada da Globo, foi isolada e transformou-se no quartel-general da campanha. O investimento para derrotar Ubaldo foi alto. As principais peças da campanha foram às novelas “Onde Ubaldo mora”, >“Onde Ubaldo trabalha” e “Onde Ubaldo dá aula”, estreladas pelo ator Ricardo Ozzi, que vivia o personagem Dique Traça, uma paródia ao policial Dick Tracy. As peças publicitárias caíram no gosto popular e minaram o favoritismo da candidatura de Ubaldo. As novelas tornaram-se uma coqueluche na cidade.

ACM acompanhou a campanha. Assistia aos capítulos das novelas, cujas fitas eram enviados diariamente de avião para a agência em Salvador. Nos três comícios da campanha que participou, se divertia, ao ouvir um sonoro não da platéia a pergunta: “Vocês sabem onde Ubaldo mora?”

Cumprimos a estranha missão. Ubaldo ficou em terceiro lugar. Oduque, o candidato para o qual eu trabalhei, ficou em segundo lugar e Geraldo Simões ganhou a eleição. Aliás, Simões foi o primeiro prefeito eleito pelo PT na Bahia, se elegendo graças à ajuda do impichamento do presidente Fernando Collor.

Muitos anos depois, em Brasília, cruzo com o senador a caminho do plenário do Senado, o cumprimento e ele pergunta: “Você sabe onde Ubaldo mora?”

A Bahia vai bem, obrigado a você

No dia 2 de julho de 1969 desembarquei em Salvador. Estava trocando os ares do Rio de Janeiro pelos do Nordeste. A mudança não era por vontade própria, mas pelas contingências políticas da época.

Em 1968, como um dos líderes do movimento dos vestibulandos cariocas havia me envolvido num episódio que não agradou a ditadura. Ao bater boca com o ministro da Educação, Tarso Dutra, coloquei o dedo em riste contra seu rosto. O episódio aconteceu numa reunião no anfiteatro da Reitoria da UFRJ, na Praia Vermelha.

A partir daí minha vida virou um inferno. Fui preso, liberado e passei a ser acompanhado dia e noite pelos órgãos de informações da ditadura. Logo depois do gesto, havia fundado com outros estudantes a famosa Ala dos Estudantes da Portela, cuja sede era em minha casa e da qual fui o primeiro presidente. A ala desfilou pela primeira vez no carnaval de 1969 e trouxe muitos problemas para a escola de samba, pois os milicos queriam que a ala fosse expurgada do desfile pelos dirigentes da escola. Mas, isso é outra história.

O que me leva ao teclado do computador é a troca dos ares cariocas pelos baianos.

Voltando a vaca fria, desembarquei no Aeroporto Dois de Julho e peguei um táxi. O rádio do carro estava ligado e a primeira coisa que ouvi foi um jingle que dizia assim: “A Bahia vai bem, obrigado a você, a Bahia vai bem…”. Era um comercial da Prefeitura do Salvador, administrada por Antônio Carlos Magalhães, nomeado prefeito pelo ditador general Castelo Branco e empossado por ele antecipadamente em 13 de fevereiro de 1967, pois, Castelo desconfiava que seu sucessor, o general Costa e Silva, poderia revogar a nomeação. Por isso, ACM, foi o único prefeito nomeado em 1967, que tomou posse, ainda, com Castelo Branco e não em abril, como os demais, já sob a presidência de Costa e Silva.

Fiquei em Salvador até dezembro de 1969, quando retornei ao Rio de Janeiro, imaginava que os milicos haviam se esquecido de mim. Ledo engano. Por isso, em janeiro de 1970 fui parar em Fortaleza, onde consegui voltar ao jornalismo, nos Diários e Emissoras Associados do Ceará, atuando como repórter especial em área compreendida entre o Acre e a Bahia.

É aí, que conheço ACM. De quem guardo a lembrança do primeiro contato, pois é um momento, que por um pequeno detalhe, se desnuda a personalidade do político baiano.

Corria algum ano dos anos 70. Não me lembro qual. Apenas me lembro, que estávamos na varanda do apartamento de ACM, na rua Euclides da Cunha, no bairro da Graça, em Salvador, eu, repórter do Correio do Ceará, Césio Oliveira, do Estadão e Renato Pinheiro, de O Globo. Aguardávamos ACM, governador da Bahia, para entrevistá-lo para os nossos jornais.

ACM havia sido condecorado pela Câmara Municipal de Salvador, antes de deixar a Prefeitura, com o título de “Prefeito do Século”, pois havia mudado radicalmente o perfil da cidade, rasgando avenidas de vale e acabando com a invasão de terrenos a beira-mar ocupados por membros da elite baiana de forma ilegal. Por isso, despertava a curiosidade da imprensa sobre quais seriam seus planos para o estado.

Em dado momento, dona Arlete, mulher de ACM, se aproxima e nos pergunta se queríamos um suco, justo quando ACM se aproxima de nós. Antes mesmo de nos cumprimentar, ele alerta sua mulher com a seguinte frase:

“Arlete, jornalista não gosta de suco, gosta de uísque. Traga um Chivas”.

Esta frase ficou marcada em minha memória, pois demonstrou que o papo ia longe e sem nenhuma aresta. E foi o que aconteceu. Foi uma das melhores entrevistas que fiz em mais de 40 anos de profissão.

A tragédia é tão obscena, como o gesto de Garcia

Veio de onde ninguém esperava, a reação mais dura ao governo federal pela tragédia de Congonhas. O editorial da Rede Record de Televisão é um libelo. Ele resume o que está entalado na garganta da maioria da opinião pública nacional. Vale a pena ler e reler:

“Mais de 350 vidas se foram em dois acidentes aéreos em menos de um ano. Neste momento, milhares de brasileiros choram a perda de familiares e amigos. O país todo ainda está abalado por uma tragédia prevista.

Enquanto o cidadão comum sofre com o colapso aéreo, as autoridades de Brasília fazem teorias, brincam e até debocham.

Mais de dez órgãos oficiais e dezenas de empresas privadas atuam no setor. Até agora nenhuma solução para a crise. E o pior: a saída parece impossível de ser encontrada.

As centenas de vidas perdidas parecem não afetar nossas autoridades, aparentemente distantes do caos. Bem longe do desespero e da agonia que tomaram conta dos nossos aeroportos nos últimos meses.

Indignada com essa situação, a Rede Record decidiu: a partir de hoje, não disponibilizará mais passagens para nenhum dos seus executivos, artistas, jornalistas ou outros funcionários no Aeroporto de Congonhas até que tudo seja esclarecido.

É um protesto em nome dos moradores da região. Um protesto em nome de quase 200 milhões de brasileiros. Um protesto contra o descaso. Contra a falta de ação dos responsáveis.

Governo Federal, Aeronáutica, Infraero, Anac, companhias aéreas… O Brasil tem o direito de saber: de quem é a culpa? Quando toda essa tragédia vai finalmente acabar?”

Pouco antes do jornalista Celso de Freitas ler, no Jornal da Record, o forte editorial da emissora, o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, comemorou com gestos obscenos, nas dependências do Palácio do Planalto, à reportagem exibida pelo Jornal Nacional sobre o defeito no reverso da turbina direita do Airbus da TAM.

A euforia de Garcia e do assessor de imprensa Bruno Gaspar foi flagrada pela lente da câmera do cinegrafista Rafael Sobrinho, da própria Rede Globo, que exibiu a cena no Jornal da Globo.

O gesto de Garcia foi o tradicional “top-top”, aquele que é feito com a mão direita espalmada, desferindo tapinhas sobre o topo da mão esquerda, fechada de modo a compor um círculo com o indicador e o polegar.

Bruno fez o mesmo “top-top”, apenas utilizou uma outra versão gestual, levou os dois braços à frente e, com as mãos cerradas, puxou os cotovelos contra a cintura, adiantando levemente a região pélvica do tronco.

Na quarta-feira, a Infraero, tentando induzir a opinião pública ao erro, liberou o vídeo com imagens do pouso do Airbus acidentado. Uma demonstração cabal, que estava em marcha um processo de atribuir culpa pela tragédia ao comandante ou a problemas técnicos na aeronave. O governo agiu com uma rapidez que não demonstrou em dez meses de caos aéreo.

A reportagem do JN coroaria a estratégia do Planalto de tirar do colo do governo federal qualquer responsabilidade sobre a tragédia de Congonhas, daí a comemoração esdrúxula de Garcia e Bruno. Uma reação que comprova o nível de caráter da equipe de áulicos do presidente Lula, mas preocupados e com a imagem imperial do presidente, do que em resolver um problema que se arrasta por mais de dez meses.

O editorial da Rede Record contém um trecho profético:

“Enquanto o cidadão comum sofre com o colapso aéreo, as autoridades de Brasília fazem teorias, brincam e até debocham.”

Como, também, é profético um trecho da ação, que em 24 de janeiro do corrente ano, foi encaminhada à Justiça, pedindo a interdição da pista principal do Aeroporto de Congonhas, pelos procuradores Fernanda Teixeira Taubemblatt e Mário Schusterschitz da Silva Araújo:

“Considerando, ainda, a inexistência das áreas de escape no aeroporto, a possibilidade de que uma dessas aeronaves deslize para fora do aeroporto, atingindo uma das avenidas que o circundam, é realmente palpável”.

E foi isso que ocorreu o Airbus A320 da TAM na noite de terça-feira, deixando a nu, que o problema existia e que as autoridades não adotaram nenhuma providência para evitar a tragédia, haja vista, que desde 1985 que o Aeroporto de Congonhas está condenado, por ser considerado um risco para milhões de vidas.

Vamos torcer para que, ao menos, dessa vez, o governo federal feche a porta arrombada pela tragédia de Congonhas, caso contrário poderemos ver um acidente com proporções muito maiores do que a de terça-feira.

Inscrições do Projovem encerram no final deste mês

A meta é inscrever 1.600 jovens este ano

Continuam abertas as inscrições para o Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem). Os jovens com idade entre 18 e 24 anos completos, que
tenham concluído apenas a quarta série do ensino fundamental, e não concluíram o ensino fundamental, além de não terem vínculo empregatício, poderão se inscrever no programa até o dia 27 de julho. A meta do município de Macapá é inscrever 1.600 jovens este ano, mas até agora 1.200 foram
inscritos pelo 0800.722.7777. As ligações poderão ser feitas gratuitamente de qualquer telefone fixo, das 6 da manhã às 11 da noite de segunda a sábado
e das 8 da manhã às 8 da noite nos domingos e feriados.

Implantado no ano passado em Macapá , o ProJovem é um programa do Governo Federal que proporciona aos jovens de todo o Brasil, a chance de concluírem o ensino fundamental, receberem capacitação profissional, ter aulas de informática, realizar ações comunitárias e ganhar uma bolsa de R$ 100 durante um ano.

Quem se inscreveu no ano passado e não freqüentou, não precisa fazer nova inscrição, basta comparecer aos postos de matrícula do Projovem. Maiores
informações podem ser obtidas na Coordenação Municipal do Projovem na Rua Odilardo Silva , Centro, ou pelo telefone: 40091015 e 40091016

PMM promove 3ª Conferência da Cidade

A Prefeitura de Macapá, por meio da Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação Geral/SEMPLA e Empresa Municipal de Urbanização de Macapá/URBAM, promove nos dias 25 e 26 de julho, com abertura oficial as 8h00min, no Centro de Convenções Azevedo Picanço, a III Conferência Municipal da Cidade e a implantação do Conselho de Gestão Territorial.
O objetivo da III Conferência Municipal das Cidades é oportunizar aos participantes uma reflexão sobre o processo de implementação do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental/PDDUA, das políticas e investimentos na área de habitação, saneamento, ambiental, mobilidade urbana e planejamento e gestão do solo urbano na esfera municipal. Além de contribuir para a composição de um Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano e implantação de uma política estadual e municipal de desenvolvimento urbano. A conferência também servirá para consolidar o processo de implementação do Conselho Municipal de Gestão Territorial.